terça-feira, 1 de setembro de 2015

XII Plenária: “Promoção da alimentação adequada e saudável no contexto do Programa Saúde na Escola (PSE)”.


O Comitê Executivo da Rede Estadual de Alimentação e Nutrição Escolar (REANE) e a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, por meio da Área Técnica de Alimentação e Nutrição e do Programa Saúde na Escola da Superintendência da Atenção Básica realizaram nesta última quarta feira, 26 de agosto de 2015, a XII Plenária com o tema “Promoção da alimentação adequada e saudável no contexto do Programa Saúde na Escola (PSE)”.

O evento, que ocorreu no Hotel Novo Mundo localizado na Praia do Flamengo, contou com a presença dos profissionais das áreas da saúde e da educação de 32 municípios do Estado do Rio de Janeiro. O evento teve como objetivo a integração entre os setores saúde e educação por meio da discussão das políticas públicas de alimentação e nutrição vigentes, tendo a valorização da culinária e o resgate cultura alimentar regional e da biodiversidade como estratégia de ação para a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável no contexto do Programa Saúde na Escola.


Compondo a 1ª mesa redonda da Plenária, a moderadora do debate Luciana Castro, docente do Instituto de Nutrição da UERJ, Inês Rugani, docente e diretora do Instituto de Nutrição da UERJ, Rosane Rito, docente da UFF e nutricionista da Secretaria Municipal da Saúde da Defesa Civil (SMSDC) e Alessandra Pereira, docente da Escola de Nutrição da UNIRIO, falaram sobre a importância das Políticas públicas de alimentação e nutrição. A 2º mesa, composta pela moderadora Thais Salema, docente da Escola de Nutrição da UNIRIO, Juliana Dias, editora de conteúdo e repórter e Sócio-fundadora do blog Malagueta, Márcio Mendonça, coordenador do Programa de Agricultura Urbana do ASPTA e Márcia Teixeira, nutricionista da Secretaria do Estado do Rio de Janeiro, falaram sobre comida de verdade: Valorização da comida como um patrimônio.

As apresentações das palestrantes encontram-se disponíveis abaixo.

Apresentação sobre Políticas Públicas de Alimentação e Nutrição
Apresentação sobre Espaços da Educação Infantil como Promotores da Amamentação
Apresentação sobre Alimentação e Nutrição nos Primeiros Anos de Vida
Apresentação sobre Comida é Patrimônio
Apresentação sobre A Área Técnica de Alimentação e Nutrição integrando as áreas da Saúde e da Educação

FNDE oferece curso sobre alimentação escolar indígena e quilombola


Nutricionistas, responsáveis técnicos e gestores da alimentação escolar em estados e municípios que possuam escolas indígenas ou quilombolas terão a oportunidade de participar de capacitação oferecida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O curso, que será oferecido na modalidade a distância, está com inscrições abertas no site de Educação Corporativa do FNDE.
A partir de material e espaços de discussão disponíveis na plataforma E-FNDE, os participantes serão direcionados a refletir sobre a adequação de aspectos da alimentação escolar voltados especificamente para a realidade de escolas indígenas e quilombolas. O objetivo é fazer com que os profissionais realizem avaliação qualitativa do cardápio, utilizando uma proposta metodológica diferenciada.
O curso ficará disponível na plataforma online entre 1º e 21 de setembro e a carga horária é de 30 horas/aula. Ao final, os participantes receberão um certificado.



terça-feira, 28 de julho de 2015

Comissão aprova direito a alimentação escolar para professores da rede pública

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou na última quarta-feira (15) proposta (PL 457/15) do deputado Dr. Jorge Silva (Pros-ES) que estende o direito à merenda escolar a todos os profissionais de educação da rede pública de ensino básico.
Hoje, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) é voltado exclusivamente para alunos da educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos).
O texto garante alimentação ao profissional em educação em atividade, durante o período letivo, nas creches, pré-escolas e escolas da educação básica públicas, bem como nas escolas filantrópicas e comunitárias conveniadas com entes federados.
Relatora no colegiado, a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) defendeu a medida. “É preciso criar meios para que os profissionais da rede escolar possam se alimentar adequadamente durante a jornada estendida de trabalho”, afirmou. Ela ressaltou, porém, que o intuito não é destinar aos professores “sobras de alimentação escolar”, o que “apequenaria e desrespeitaria a categoria”.
Tramitação
A proposta tem caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:


Reportagem – Emanuelle Brasil 
Edição – Pierre Triboli
Fonte: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/492712-COMISSAO-APROVA-DIREITO-A-MERENDA-ESCOLAR-PARA-PROFESSORES-DA-REDE-PUBLICA.html
                                                                              













terça-feira, 21 de julho de 2015

Novas regras sanitárias diminuem barreiras para agroindústrias familiares comercializarem seus produtos

Medidas foram anunciadas no lançamento do Plano Safra 2015/2016

Abrir novos mercados para as agroindústrias familiares de pequeno porte e de processamento artesanal. Este é o objetivo do decreto e das instruções normativas divulgados nesta segunda-feira (22), no lançamento do Plano Safra 2015/2016, em Brasília. As ações estabelecem regras e normas de qualidade específicas para agroindústrias de pequeno porte e assim garantem a mesma qualidade exigida de uma grande agroindústria pelo Sistema Único de Atenção à Sanidade Animal (Suasa).
"A regulamentação cria um ambiente muito mais favorável para os pequenos negócios regionais baseados na produção e oferta de alimentos, dialogando diretamente com as políticas de inclusão produtiva rural do governo federal. Com isto, as normas passam a contribuir ainda mais para a permanência dos jovens no campo e a valorizar as atividades desenvolvidas pelas mulheres no meio rural. Isto porque, em programas como o de Aquisição de Alimentos, por exemplo, a participação destes públicos já representa parcela significativa", observa o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos. 
Além disto, as novas normas valorizam os aspectos culturais e tradicionais da produção familiar. “O Brasil é um país privilegiado pela sua diversidade natural, social e cultural, que se reflete também na produção de alimentos, com características e valores associados a qualidades nutricionais, culturais e gastronômicos únicos. Ao mesmo tempo a legislação sanitária brasileira precisava ser ajustada de forma a corresponder ao potencial produtivo e comercial de toda essa riqueza e diversidade”, explica o secretário.
Segundo ele, outros países aprenderam a lidar com isso e criaram mecanismos que permitiram aos seus produtores comercializarem seus produtos, como é o caso, por exemplo, do queijo Roquefort cuja história segue esta trajetória. Com as mudanças, o Brasil vai oferecer oportunidades para os agricultores familiares, por meio de suas agroindústrias, comercializarem os produtos e alcançarem outras fronteiras e aumentarem as alternativas de comercialização, melhorando ainda mais sua renda e gerando desenvolvimento local, que se reflete na economia do país como um todo. “Com estas novas medidas, os brasileiros, de norte a sul do país, cada vez mais terão acesso a produtos regionais, seja da Amazônia, da Caatinga, do Cerrado ou da Mata Atlântica”, comemora o secretário.
Emílio Maldaner, 56 anos, produz há quase 20 anos embutidos na zona rural do Distrito Federal, perto de municípios de Goiás e Minas Gerais. Os produtos de origem animal que ele beneficia na propriedade já estão adequados às normas anteriores, mas ele aposta na abertura de novos mercados. “É uma medida muito importante para nós, pequenos agricultores, porque podemos vender até para outros estados. É um avanço na burocracia que vai abrir mais oportunidades para nós”, destaca.
Atualmente, a produção mensal de Maldaner é de 1,5 tonelada de linguiças, salames e costelinhas suínas defumadas, produtos vendidos em feiras e restaurantes de Brasília. “Tenho capacidade de até dobrar a quantidade dos embutidos na minha agroindústria artesanal. É só ter mercado”, relata.

O que muda com a publicação do novo Decreto e com a Instrução Normativa geral
Serviços de inspeção e fiscalização sanitária adequados à realidade da agroindústria de pequeno porte, reorientando os mesmos para o que é realmente importante no processo: a garantia da qualidade.
Na agroindústria de pequeno porte, as ações de inspeção deverão ter natureza prioritariamente orientadoras, ajudando sempre os empreendedores a melhorarem a produção e a segurança para os consumidores.
Simplificação do registro sanitário de unidades de processamento para venda direta ao consumidor final de pequenas quantidades, podendo ser feito até pela internet.
Diminui exigência de documentos para o registro do estabelecimento agroindustrial de pequeno porte.
Possibilidade das agroindústrias de pequeno porte ser multifuncionais, ou seja,desenvolver mais de uma atividade, como o abate de diferentes espécies animais em um mesmo estabelecimento, desde que garantida qualidade.
Permissão de uso de equipamentos simples e adaptados ao tamanho dos empreendimentos.
Poder dispor de apenas uma unidade de sanitário/vestiário para estabelecimento com até 6 trabalhadores.
A exigência de responsável técnico poderá ser suprida por profissional técnico de órgãos governamentais ou privados, ou por técnico de assistência técnica.

As mudanças não encerram com essas medidas. O governo federal está estabelecendo prazos para que as novas normativas sejam editadas ainda neste ano, concluindo uma importante etapa do processo de modernização da legislação sanitária brasileira com foco nas agroindústrias de pequeno porte. A próxima etapa da reforma vai tratar das principais cadeias e grupos de produtos, como o setor de leite e derivados, além da produção artesanal, que deverão ter novo conjunto de regras em, no máximo, 60 dias.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou a nova Resolução, RDC 26/2015, que dispõe sobre os requisitos para rotulagem obrigatória para os principais alimentos que causam alergias alimentares.



Foi publicada hoje a RDC 26/2015, de 02/07/2015, que obriga a rotulagem obrigatória dos principais alimentos que causam alergias alimentares. A indústria ainda tem 12 meses para se adequar mas, em breve, será mais fácil selecionar alimentos para os cardápios especiais de alunos alérgicos.


quinta-feira, 2 de julho de 2015

1º Congresso Digital de Nutrição e Alergias Alimentares




Deu inicio no período do dia 30/06 a 06/07 o 1º Congresso Digital de Nutrição e Alergias Alimentares. O mesmo têm o objetivo de divulgar informações sobre nutrição e alergias alimentares, principalmente em crianças.

O congresso é gratuito e conta com a participação de diversos profissionais da área da saúde e gastronomia, além de contar com relatos de pais que possuem filhos com algum tipo de alergia alimentar.


ABRASCO apresenta documento colaborativo para as conferências nacionais de Segurança Alimentar e de Saúde.





O Grupo Temático de Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) elaborou documento com subsídios e reflexões sobre as agendas de alimentação e nutrição para o processo de conferências nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional e de Saúde, que acontecem este ano.
O documento foi elaborado em parceria com a Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição e o Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.
O objetivo é incentivar, por exemplo, o fortalecimento de ações intersetoriais na operacionalização de programas como o Programa Saúde na Escola (PSE) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), além da Estratégia de Prevenção e Controle da Obesidade, que começa a ser implementada, e propor ações e diretrizes para o setor de Saúde.
Uma das propostas é promover a articulação das Câmaras de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisans) e dos Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional (Conseas) locais para que o Guia Alimentar para a População Brasileira seja um orientador de políticas públicas.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Curso sobre manipulação em serviços de alimentação


Capacitação à distância sobre Boas Práticas de Manipulação para Serviços de Alimentação, disponibilizado no site da ANVISA. O treinamento é gratuito, carga horária de 12 horas com Declaração de Conclusão.

O curso foi desenvolvido para ampliar e enriquecer os conhecimentos dos manipuladores, apresentando os cuidados básicos com a higiene e o preparo de alimentos, promovendo o controle da higienização, preparação, armazenamento, transporte, exposição das refeições e prevenindo assim, possíveis doenças e intoxicações alimentares por parte dos consumidores.


Link para inscrição:



terça-feira, 26 de maio de 2015

Dissertação vinculada ao Núcleo de Alimentação e Nutrição Escolar é premiada na 28ª edição do Prêmio Jovem Cientista



A 28ª edição do Prêmio Jovem Cientista que este ano contemplou projetos de pesquisa na área de Segurança Alimentar e Nutricional, foi encerrado nesta quinta-feira (21) com o anúncio dos vencedores. Do total de 1.920 pesquisas inscritas nesta edição, 341 disputaram a categoria Mestre e Doutor, estando entre os inscritos Camila Maranha Paes de Carvalho, ex-aluna de mestrado do PPG em Alimentação, Nutrição e Saúde/UERJ. Camila Maranha concorreu ao Prêmio com sua dissertação intitulada “Proposta de avaliação do Programa Nacional de Alimentação Escolar para municípios no Estado do Rio de Janeiro”, concluída em 2012 sob orientação da Profª Inês Rugani Ribeiro de Castro e foi vencedora do 2° lugar do Prêmio Jovem Cientista, conforme anúncio do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A dissertação da Camila faz parte de um dos Projetos do Núcleo de Alimentação e Nutrição Escolar (NUCANE) ao qual se propunha fazer uma pesquisa que contemplasse a visão de quem trabalha diretamente com alimentação escolar e as características que o programa assume em âmbito municipal. O trabalho se dividiu nas seguintes etapas: levantamento bibliográfico de estudos e de indicadores de avaliação do PNAE; elaboração de expressões gráficas da dinâmica de funcionamento do PNAE e de uma proposta preliminar de avaliação; revisão do elenco de indicadores de avaliação do Programa e das expressões gráficas, após consulta a atores envolvidos em sua execução e especialistas no tema; elaboração de instrumentos para a coleta de dados; aplicação desse elenco de indicadores em uma cidade do RJ; revisão do elenco à luz da experiência de sua aplicação; e formulação de uma proposta final de avaliação. Como produto, apresenta um elenco composto por 87 indicadores, divididos em seis dimensões de avaliação: gestão; promoção da alimentação saudável; desenvolvimento local; qualificação dos atores; controle e participação social; e opinião dos atores sociais. Destes indicadores, 19 são qualitativos e pretendem subsidiar a investigação sobre as melhorias necessárias para o programa. Outros frutos advindos do projeto são os questionários para a coleta dos dados junto a diferentes informantes chave e mapas conceituais do funcionamento do programa com a identificação dos indicadores propostos. 

Parabenizamos a Camila e Inês pelo reconhecimento e premiação desse lindo trabalho.

Link para a dissertação completa “Proposta de avaliação do Programa Nacional de Alimentação Escolar para municípios no Estado do Rio de Janeiro”

Transmissão on line do anúncio dos vencedores

Livreto da 28ª edição do Prêmio Jovem Cientista:

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Material de apoio para a Semana de Educação Alimentar de 2015

Na XI Plenária da Rede Estadual de Alimentação e Nutrição Escolar (REANE) lançamos o tema da Semana de Educação Alimentar (SEA) de 2015 - "Comida de verdade: no campo e na cidade". Preparamos um CD com alguns materiais de apoio. O CD contém:

  •  duas apresentações: sobre o Novo Guia Alimentar para a População Brasileira e sobre os 10 passos para uma alimentação saudável;
  • dicas de atividades a serem realizadas com a comunidade escolar;
  • dicas de vídeos sobre os temas abordados no Novo Guia Alimentar para a População Brasileira;
  • materiais da 5ª Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional e
  • vídeos diversos sobre os temas.

Para ter acesso aos arquivos, clique aqui



terça-feira, 28 de abril de 2015

XI Plenária da REANE - Lançamento da SEA/2015: "Comida de verdade: no campo e na cidade"

Na última terça feira, 14 de maio de 2015, foi realizada a XI Plenária da Rede Estadual de Alimentação e Nutrição Escolar (REANE) em parceria com o Núcleo de Alimentação e Nutrição Escolar (NUCANE) do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O evento, que ocorreu na UERJ, contou com a presença dos profissionais das áreas da saúde e da educação de 20 municípios do Estado do Rio de Janeiro. O evento teve como objetivo lançar o tema da Semana de Educação Alimentar de 2015: “Comida de verdade: no campo e na cidade”.  

Compondo a mesa redonda da Plenária, a moderadora do debate Alessandra Pereira, docente da Escola de Nutrição da Unirio, Juliana Casemiro, docente do Instituto de Nutrição da UERJ e secretária executiva do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), Luciene Burlandy, docente da Faculdade de Nutrição da UFF e Inês Rugani, docente e diretora do Instituto de Nutrição da UERJ, falaram sobre a importância das Conferências de Segurança Alimentar e Nutricional, em prol da defesa da comida de verdade, respeitando as características alimentares da população do campo e da cidade e como o novo Guia Alimentar para a População Brasileira pode trazer novas perspectivas no espaço escolar. Dessa forma, trouxeram subsídios aos participantes para explorarem o tema em seus municípios.
As apresentações das palestrantes encontram-se disponíveis no blog da REANE. A matéria com os links pode ser acessada aqui.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O império do consumo

Por Eduardo Galeano

A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?
A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.
A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.
O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.
“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.
Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.
O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel par trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.
Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.
Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.
O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do McDonald’s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald’s dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald’s de Moscou, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.
Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald’s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Mcfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 1998, outros empregados da McDonald’s, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.
As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.
Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.
Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.
As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário.
A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias: Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.
Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes.
As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam veem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama. Apinhados em tugúrios [casebres], a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram.
Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam “porque as pessoas têm o gosto de juntar-se”. Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?
O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.
O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.
A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete. Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça.
Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam ao centro. O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.
O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?
A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.
A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

FNDE aumenta compra da agricultura familiar para alimentação escolar

O Ministério da Educação por meio do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Escolar) publicou dia 08/04, nova resolução (Nº 4 de 02 de abril de 2015) que aumenta os valores da compra dos produtos da Agricultura Familiar que se destinam a alimentação escolar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE. Cada agricultor familiar que preencher os requisitos pode vender até 20 mil reais/ano para a alimentação escolar.
Pelo novo texto, os projetos são divididos em grupos e terão a seguintes prioridades: fornecedores locais, fornecedores de território rural, fornecedores estaduais e do país. A prioridade é para os fornecedores locais, assentamentos da reforma agrária,  comunidades tradicionais e as atividades ligadas à produção orgânica e agro-ecológica. Além disso, por meio de chamada pública, os agricultores poderão vender para as escolas, prefeituras e para o estado. O valor limite é de 20 mil de cada agricultor, inscrito na DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf) individual ou jurídica, no caso de associações de produtores ou cooperativas.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Apresentações das palestrantes na XI Plenária da REANE

Disponibilizamos nos links abaixo as apresentações das palestrantes da XI Plenária da REANE "Comida de verdade: no campo e na cidade". A Plenária foi realizada na UERJ no dia 14/04/2015. Para ter acesso ao documento, basta clicar no nome da apresentação e palestrante.

O Processo de Construção das Conferências de Segurança Alimentar e Nutricional - Juliana Casemiro


Comida de verdade no campo e na cidade: por soberania e segurança alimentar - Luciene Burlandy
                                                

O novo Guia Alimentar para a População Brasileira (e seus desdobramentos no espaço escolar) - Inês Rugani


segunda-feira, 13 de abril de 2015

XI Plenária da REANE


Será na próxima terça-feira (14/04) a partir das 9h. E para os que não poderão estar presentes, informarmos que o mesmo será transmitido pelo Telessaúde através do link: http://webconf.telessaude.uerj.br/auditorio
Para quem for assistir on line, não precisa de inscrição prévia. Basta acessar o link acima na hora e data do evento.


quinta-feira, 26 de março de 2015

Comida é Patrimônio


​​


Comida é Patrimônio é o tema da primeira campanha digital, lançada pelo Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN). Os objetivos da campanha são estimular a população a repensar a relação com os alimentos e lutar por um sistema alimentar mais justo, equitativo, saudável, sustentável e solidário. Assim, o Fórum busca valorizar a identidade alimentar, presente nas ricas regionalidades culinárias do país, bem como nas dimensões sociais, culturais, econômicas e políticas. Por meio do site oficial e da página no Facebook, o intuito do Fórum é mobilizar a sociedade em prol da preservação da biodiversidade e cultura alimentar.

A campanha pretende provocar essa reflexão a partir de quatro temas:
·  Comida é bem material e imaterial
·  Comida é identidade, memória e afeto
·  Comida é dialogo de saberes
·  Modos de viver, produzir e comer

Nos próximos meses, o Fórum irá compartilhar em sua página no Facebook uma série de 24 cartazetes chamados de “pensamento-pimenta”. O conteúdo foi selecionado a partir de pensamentos de mulheres e homens de diversas áreas de conhecimento, entre as quais, antropologia, sociologia, nutrição, gastronomia, agricultura, artes e manifestações de organizações sociais sobre a cultura alimentar. Além dos cartazetes digitais, serão apresentadas matérias e entrevistas a fim de proporcionar amplo debate sobre os quatro temas propostos. A construção da campanha foi realizada em parceria com a Malagueta Comunicação, agência especializada em conteúdo e relacionamento para a área de Alimentação e Cultura que assina a identidade visual e a produção dos textos. A mobilização digital com apoio de membros e parceiros é essencial para o sucesso da campanha. Por isso, convidamos os fóruns estaduais para se apropriarem da campanha junto com o FBSSAN. Este material poderá ser utilizado como  subsídio para as conferências estaduais e municipais. 

Como aderir à Campanha? 

Os pensamentos-pimenta serão compartilhados na página do facebook três vezes por semana, e as matérias serão publicadas no site a cada 15 dias. Quem aderir à campanha, além de compartilhar esse material, pode inserir o banner da campanha (anexo) e a capa do Facebook (que pode ser utilizada no site da Instituição parceira/ pessoa física durante o período da campanha). Também está prevista a realização da roda de conversa virtual Diálogo de Sabores para debater os temas da campanha, com a participação de convidados especiais. O evento será divulgado com antecedência no site e facebook do FBSSAN.

O público poderá participar respondendo às perguntas: “Que alimentos (não) estamos comendo?” e “Quais alimentos devemos preservar?”. Podem ser enviadas em forma de textos, fotos e vídeos para o e-mail secretariafbssan@gmail.com ou por mensagem para o Facebook do Fórum. As respostas mais criativas serão integradas à campanha. O FBSSAN convida seus membros e parceiros a aderirem à campanha, divulgando em suas redes (site, facebook).


Sobre o banner

Os banners enviados em anexo estão na ordem 01, 02 e 03 para serem inseridos em flash. Eles possuem dois formatos: retangular e quadrado.

Para participar da campanha, acesse www.facebook.com.br/fbssan

#comidaepatrimonio #pensamentopimenta 

Qualquer dúvida, estamos à disposição,

Contamos com o seu apoio na divulgação!